Lilian Nakhle

"Faltam palavras para o que a gente sente...Sobra emoção no que a gente vive. Seja bem vindo ! ! !"

Textos



Recentemente fui almoçar num pequeno e aconchegante restaurante e quando fui me servir tive a alegria de encontrar um querido amigo no Buffet. Trata-se de um amigo amoroso, elegante, inteligente, daqueles que a gente sente vontade de não largar mais.
Rapidamente nos cumprimentamos e prosseguimos conversando ao mesmo tempo em que escolhíamos a comida. Obviamente nos sentamos na mesma mesa.
Foi um almoço delicioso, agradável apesar enorme fila que enfrentamos na hora de pagar. Seguimos abraçados até a fila. E foi durante esta espera que em meio ao burburinho ouvi uma voz atrás de mim:
 
- Veja que mulher linda, pena que está acompanhada de um gay.
 
Imediatamente olhei para trás e vi três jovens mulheres a conversar sobre nós. Calmamente perguntei:
 
- O gay incomodou vocês?
 
Todas ficaram surpresas e responderam que não, que tinham amigos gays e que não discriminavam a “opção” de ninguém. Ainda ressaltaram que fizeram aquele comentário porque eu e me amigo seriamos um belo casal se ele fosse homem.
Para finalizar a conversa, respondi apenas:
- Meu amigo sempre será homem mesmo que goste de homem, ele sempre pertencerá ao sexo masculino. Com a ressalva que a diferença entre ele e algumas pessoas, é que meu amigo é um grande e lindo Ser Humano.
 
 
“Precisamos lembrar que todos somos diferentes uns dos outros, até mesmo irmãos gêmeos idênticos têm as suas diferenças. Ser gay não é uma opção, e sim uma orientação sexual”.
 
 
É com a citação deste fato real que gostaria de compartilhar com vocês, leitores, algumas questões específicas que existem na população homossexual direcionada a sua orientação sexual, bem como certos temas pertinentes que podem ser abordados em psicoterapia.
Inicialmente é importante compreender o significado do termo “orientação sexual” uma vez que é muito diferente de “opção sexual” que traduz uma “escolha” de algo que não existe.
A orientação sexual é o modo como as pessoas sentem atração física e/ou emocional por pessoas do mesmo sexo, do sexo oposto, ou por ambos os sexos. Porém, independentemente da orientação sexual de cada um, existe na maioria das pessoas o mesmo desejo de cumplicidade e intimidade.
A capacidade de dar e receber afeto e a mesma capacidade de amar.
E como muito bem afirma o Dr. Dráuzio Varella:
 
“Em matéria de comportamento, o resultado do impacto da experiência pessoal sobre os eventos genéticos, embora seja mais complexo e imprevisível, é regido por interações semelhantes. No caso da sexualidade, para voltar ao tema, uma mulher com desejo sexual por outras pode muito bem se casar e até ser fiel a um homem, mas jamais deixará de se interessar por mulheres. Quantos homens casados vivem experiências homossexuais fora do casamento? Teoricamente, cada um de nós tem discernimento para escolher o comportamento pessoal mais adequado socialmente, mas não há quem consiga esconder de si próprio suas preferências sexuais.”
Até onde a memória alcança, sempre existiram maiorias de mulheres e homens heterossexuais e uma minoria de homossexuais. O espectro da sexualidade humana é amplo e de alta complexidade, no entanto; vai dos heterossexuais empedernidos aos que não têm o mínimo interesse pelo sexo oposto. Entre os dois extremos, em gradações variadas entre a hetero e a homossexualidade, oscilam os menos ortodoxos.
Como o presente não nos faz crer que essa ordem natural vá se modificar, por que é tão difícil aceitarmos a riqueza da biodiversidade sexual de nossa espécie? Por que insistirmos no preconceito contra um fato biológico inerente à condição humana?
Em contraposição ao comportamento adotado em sociedade, a sexualidade humana não é questão de opção individual, como muitos gostariam que fosse, ela simplesmente se impõe a cada um de nós. Simplesmente, é!”
 
É comum para muitas pessoas homossexuais o desconforto com a sua orientação sexual devido a inúmeros fatores que vai desde a dúvida quanto a sua condição sexual até a vulnerabilidade à discriminação e violência da sociedade.
É impossível negar a existência de um processo bastante sofrido uma vez que a pessoa enfrentará pressões para afirmar sua identidade, temendo as consequências desta revelação para sua família, amigos, trabalho.
Existem os medos relacionados à sua auto-imagem, os estereótipos e experiências a pessoa a este respeito (geralmente são negativos) que podem desencadear crises de identidade e estresse psicológico, além de sentimentos de culpa, raiva, medo.
Muitos se sentem culpados e chegam a ter ódio de si mesmo devido às dificuldades de lidar com sua auto-imagem.
A idade é um outro fator importante e muito abordado na psicanálise, algumas pessoas tomam consciência dos seus sentimentos desde ou a partir da adolescência, outras não.
Assim como os sentimentos podem mudar ao longo da vida, a orientação sexual de cada pessoa também pode se alterar, pois a sexualidade não é estanque (isolado, separado).
 
 
 
“Desde a Grécia antiga se procuram explicações para o homossexualismo. Em sua obra O Banquete, escrita no século IV a.C., Platão atribui ao dramaturgo Aristófanes a narrativa que se segue. No início dos tempos, as criaturas eram duplicadas. Havia homens grudados a homens, mulheres a mulheres e homens a mulheres. Essas criaturas se voltaram contra os deuses e tentaram escalar até o céu para investir contra eles. Zeus reagiu e, para enfraquecer as criaturas, partiu-as ao meio. Desde então, cada um dos seres humanos busca sua metade. As metades andróginas se complementam num casal formado por homem e mulher. As mulheres resultantes da criatura feminina buscam outras mulheres e o mesmo acontece com os homens resultantes de uma criatura masculina. Ao comentar a situação dos homens que se apaixonam por outros homens, Aristófanes diz: "Não é por despudor que o fazem, mas por audácia, porque acolhem o que lhes é semelhante". Mais de dois mil anos depois, com menos poesia, cabe à ciência explicar o homossexualismo.”
(Revista VEJA, Edição 2066, artigo: A diferença se vê no cérebro – Vanessa Vieira)
 
 
No fundo, há quem compreenda o significado dos seus sentimentos apenas quando tem os primeiros desejos sexuais ou relacionamento sexual ou amoroso. Ou seja, através do auto-conhecimento, experiência e maturidade, tudo pode ficar um pouco mais claro.
Para todos os pacientes, as particularidades de cada um são levadas em conta no desenvolvimento da psicoterapia.



Lilian Nakhle

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LilianNakhle
Enviado por LilianNakhle em 28/04/2013
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